Durante a minha trajetória clínica como terapeuta reichiano, observei que as nossas dores e histórias não ficam guardadas apenas na mente como se fossem “do passado”.
Se elas estão guardadas, elas funcionam no presente através de tensões e bloqueios físicos no nosso corpo. Percebi que tentar mudar a forma de pensar e sentir através de conversas era insuficiente se o corpo estivesse preso em estados de alerta e sobrevivência.
"Entendi que as nossas emoções e desejos não são apenas ideias abstratas, mas correntes reais de energia que moldam a nossa biologia futura e as nossas ações."
Essa inquietação profunda culminou na minha pesquisa de doutorado, buscando mapear exatamente como nós geramos as nossas próprias prisões e como podemos gerar os nossos espaços de liberdade.
Simultaneamente, essas dores não curadas e reações emocionais terminam por gerar contextos sociais adoecidos, diminuindo a nossa autorresponsabilidade e dificultando a percepção daquilo que nos oprime.
Compreender como as estruturas sociais moldam as tensões do corpo que, por sua vez, sustentam essas mesmas estruturas, foi o motor que me levou a investigar como fazemos essas construções dentro e fora de nós.
Sou Mestre e Doutor em Psicologia e autor da tese Psicologia Política do Corpo. Para mapear como as nossas tensões físicas se transforma em regras invisíveis, mergulhei na articulação entre a psicologia somática de Wilhelm Reich, a filosofia da potência de Baruch Spinoza, o espaço tempo de Henri Bergson e a biologia de sistemas de Michael Levin.
O resultado é a Engenharia Bioelétrica da Consciência, um método que desenvolvi para guiar a retomada do autogoverno, isto é, gerar consciência exata sobre o que queremos, por que queremos, o que fazemos e por que fazemos. A Engenharia é a capacidade de desenhar e construir novos mapas elétricos no corpo.
Hoje, dedico o meu trabalho a transmitir essas distinções através de “cognições incorporadas”, por meio de workshops e mentorias diretivas. O meu objetivo é guiar pessoas a desenvolverem o letramento emocional e sensível das correntes do corpo, para assumirem a autoria das realidades que constroem, internas e externas.
É um convite para que cada pessoa deixe de ser governada pelas suas antigas tensões de sobrevivência e aprenda a produzir a sua própria engenharia interna, retomando a potência de agir e a capacidade de gerar novos espaços e estados de presença.